Clube de Matemática
" A matemática é o alfabeto com que Deus escreveu o universo". Galileu Galilei
domingo, 19 de julho de 2026
segunda-feira, 13 de julho de 2026
UM
O 1 está presente nas primeiras manifestações numéricas do ser humano. Os homens do Paleolítico começaram a usar sinais unitários para estabelecer as suas séries numéricas. Pensa-se que quando o homem descobriu o 1 se descobriu a si próprio como indivíduo. Para o islão, o 1, a unidade, é o símbolo da divindade, sendo também identificado com a luz. No alfabeto hebraico o 1 é considerado um número masculino e simboliza, juntamente com a primeira letra, o aleph, a força divina penetrante: é a separação entre a luz e as trevas.
O 1 possui uma qualidade singular que os gregos também detetaram: produz mais por adição do que por multiplicação. De facto, é o único número natural(hoje aceita-se que é um número)que goza desta peculiar propriedade.
Aritméticamente, o número 1 possui características singulares: é o seu próprio factorial, o seu próprio quadrado, o seu próprio cubo e do mesmo modo para todas as outras potências. A forma do 1 tal como hoje a conhecemos provém da Índia, onde se representava no entanto, com um traço horizontal...."
"...Para os gregos, do ponto de vista aritmético, o 8 era o segundo número cúbico...Para os chineses havia oito extremos de apuro e eram também oito os vícios na China antiga:fazer o que não se deve, que se designa por "monopolizar"; dar conselhos a quem não está interessado, ou fazer "retórica"; falar para comprazer, ou "lisonjear"; falar sem distinguir o verdadeiro do falso, ou "adular"; gostar de falar mal dos outros, ou "murmurar"; semear a inimizade entre amigos ou parentes, ou "perturbar"; proferir louvores hipócritas e espalhar calúnias para fazer mal aos outros, ou "obrar com malícia"; e tratar as pessoas com dissimulação, sem distinguir o bom do mau, para lhes arrebatar em segredo o que se deseja, o que se designa por "ser salteador". Estes oito vícios prejudicam exteriormente os outros e interiormente o próprio..."
"...Para os Pitagóricos, o 4 e o 8 estavam associados à harmonia e à justiça, representando o primeiro os quatro elementos: terra, ar, fogo e água, simbolizados por sua vez pelo cubo, o octaedro, o tetraedro e o icosaedro. O 4 é o número feminino por excelência, e era identificado com a figura geométrica do quadrado, pois tinha quatro lados e quatro ângulos. Os números divisíveis por 4 eram para os gregos os "pares-pares".
Na tradição cristã, o 4 aparece no Antigo Testamento, ao serem quatro os rios do paraíso, um para cada uma das direções, facto que, ao que parece, influenciou a decisão de reconhecer apenas quatro evangelhos...
...O Talmude diz que o pai tem para com o filho quatro obrigações: circuncidá-lo, resgatá-lo, procurar-lhe esposa e ensinar-lhe um ofício....
Nas principais religiões monoteístas, o nome de Deus tem, fonologicamente quatro letras. Assim para os hebreus, egípcios, árabes, gregos, turcos e latinos: Theut, Alla, Sire, Theos, Essar e Deus.
"...Na Antiguidade, o número 3 era considerado como símbolo da criação perfeita e da unidade divina. De facto, é como se no interior do homem existisse uma tendência para agrupar as conceções da mente em tríades; por exemplo, tendemos sempre a repetir um esforço três vezes antes de desistir. Nos anais mais antigos encontram-se muitas referências a esta estrutura ternária: três tesouros, três vozes, três admoestações, três provas, etc.
Para os gregos, o 3 era o primeiro número ímpar e masculino (considerando que a unidade era mais um princípio do que um número). O 3 é também o primeiro número triangular. Estes números triangulares, ou as suas imagens geométricas sob a forma de uniões entre três pontos, proporcionam o princípio geométrico de formação e crescimento de todas as figuras regulares planas de duas dimensões e sólidas de três dimensões. Os gregos associaram-no ao triângulo, devido ao facto de se tratar de uma figura geométrica com três lados e três ângulos.
Por outro lado, o 3 é um número omnipresente nos relatos mitológicos da Aniguidade: por exemplo, existem três Fúrias nas regiões infernais, três Moiras, três Graças....
...No Antigo Egito, os deuses ou entidades com propriedades divinas agrupavam-se em tríades... Já no Génesis(18:1-19) se fala de três anjos que tomaram a forma humana e apareceram a Abraão. Mas é no final do Talmude que proliferam as referências ao 3, podendo ler-se o seguinte: " Os nossos rabis ensinaram que o Santíssimo, bendito seja, todos os dias chora por três tipos de pessoas: pelo que pode estudar a Torá e não o faz; pela que não tem capacidade suficiente para estudar o Torá e, apesar disso, o faz; e pelo governate que governa a comunidade com prepotência." No mesmo livro diz-se ainda: " Há três pessoas que o Santíssimo, bendito seja, louva todos os dias: o solteiro que vive numa grande cidade e não peca; o pobre que devolve um objeto perdido ao seu dono; e o rico que paga os dízimos sem se gabar". O 3 também está presente quando se trata de distribuir castigos e recompensas: "Todos os que descerem ao inferno subirão, exceto três, que descerão mas não subirão. Estes três são:o que comete adultério com a mulher casada; o que envergonha o seu próximo em público; e o que usa para o seu próximo um apoio insultuoso"...
.... Na liturgia e doutrina cristã, o 3 é um número de sorte e cheio de significações. Três são os elementos da Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo; os pecados principais: avareza, luxúria e orgulho; e as três formas de pagamento: jejum, esmola e oração; as pessoas ofendidas pelo pecado: Deus, o próprio pecador e o seu vizinho; os graus de penitência: contrição, confissão e expiação; as virtudes teologais: fé, esperança e caridade; Os inimigos da alma: o demónio, o mundo e a carne; e foram três as vezes que Pedro renegou Cristo, para dar exemplos de referências trinitárias que aparecem já no cristianismo primitivo.
No mundo Celta, as tríades e a triplicação surgem contínuamente. As coisas são perguntadas três vezes, as deusas apresentam-se de três em três... acredita-se que o número 3 reforça o seu poder...
Para os celtas, três vezes a idade do cão é a idade do cavalo; três vezes a idade do cavalo é a do homem; três vezes a idade do homem é a do veado; Três vezes a idade do veado é a da águia...
É possível que por trás da tríade, que se encontra praticamente em todos os povos, esteja o esquema da família: pai, mãe e descendente ("três formam uma sociedade" era uma máxima jurídica baseada no direito romano). Talvez também uma forma de pensar em ciclos de três: princípio, meio e fim; ou tese, antítese e síntese. O fato é que o 3 é um número de extraordinário dinamismo e riqueza simbólica..."
Dois
domingo, 5 de julho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
segunda-feira, 15 de junho de 2026
domingo, 14 de junho de 2026
sábado, 13 de junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Canguru Matemático
Resultados a Nível Nacional
No concurso “Canguru Matemático sem Fronteiras” , os nossos alunos estão de PARABÉNS!
A nível nacional, na categoria “Escolar” , onde concorreram em todo o país 19 960 alunos, o José Firmo obteve a posição 45º.
José Firmo - 5A3
Isaac Santos - 9 A3
domingo, 7 de junho de 2026
domingo, 31 de maio de 2026
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Vencedores do Concurso
"Canguru Matemático sem Fronteiras"
2º Classificado
Isaac Santos
9A3
3º Classificado
terça-feira, 19 de maio de 2026
Vencedores do Concurso
" Canguru Matemático"
PARABÉNS!
Atenção!
Os três primeiros classificados têm um "Cheque Fnac". Quando vierem à escola levantá-los terão de avisar a Direção ou a docente Susana Tenreiro com uma semana de antecedência para que a Escola adquira os cheques.
O levantamento dos prémios terá validade até 20 de setembro.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
sábado, 16 de maio de 2026
Pitágoras
PITÁGORAS (580-497 a.C.)
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"Prestem atenção: num triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Ou seja: a2=b2+c2. Está claro?" O professor larga o giz e se volta para a classe: "pois este é o enunciado do teorema de Pitágoras. Vamos passar agora à demonstração". Enquanto o professor se vira de novo para o quadro negro, alguns alunos se entreolham: "E quem foi esse Pitágoras?"
Um grego - o nome não engana ninguém. Um matemático - óbvio, caso contrário não faria teoremas. Um gênio - claro, senão quem não se preocuparia com ele e seus teoremas 25 séculos após sua morte? Um astrônomo - bem, vá lá, astronomia e matemática sempre andaram juntas. Mas Pitágoras foi mais que isso: conhecia também música, moral, filosofia, geografia e medicina.
Pitágoras viveu há 2500 anos e não deixou obras escritas. O que se sabe de sua biografia e de suas idéias é uma mistura de lenda e história real. A lenda começa antes mesmo de Pitágoras nascer: por volta de 580 a.C., a sacerdotisa do deus Apolo disse a um casal que vivia na ilha de Samos, no mar Egeu: "Tereis um filho de grande beleza e extraordinária inteligência; será um dos homens mais sábios de todos os tempos." No mesmo ano, o casal teve um filho. Era Pitágoras.
Lenda ou não lenda, a inteligência do jovem Pitágoras assombrava os doutos das melhores escolas de Samos: não conseguiam responder as perguntas do moço de 16 anos. Nessas condições, só havia uma coisa a fazer: despachá-lo a Mileto, para que estudasse com Tales - o maior sábio da época, provavelmente o primeiro grego a se dedicar cientificamente aos números.
Adulto, Pitágoras resolveu ampliar seus interesses. E começou a somar, além dos números, idéias sobre a ciência e a religião de outros povos. Acreditando que era preciso ver para crer, arrumou as malas e disse "até logo" a seus patrícios: foi à Síria, depois à Arábia, à Caldéia, à Pérsia, à Índia e, como última escala, ao Egito, onde passou mais de 20 anos e se fez até sacerdote para melhor conhecer os mistérios da religião egípcia. Dizem que quando Cambises conquistou o Egito, Pitágoras foi levado em cativeiro para a Babilônia. Curioso como era, o grego aproveitou a chance para descobrir em que pé andavam as ciências naquele país.
Muito tempo tinha passado e Pitágoras já dobrava a curva dos 50. Seu desejo era voltar a Samos e abrir uma escola. Mas Samos tinha mudado e o ditador Polícrates, que governava a ilha, não queria saber nem de escolas nem de templos. Aí Pitágoras seguiu adiante, a Crotona, no sul da Itália, onde as melhores famílias da cidade lhe confiaram prazerosamente a educação de seus filhos. E Pitágoras pôde, por fim, fundar sua escola, onde passou a ensinar aritmética, geometria, música e astronomia. E, permeando essas disciplinas, aulas de religião e moral.
Mais que uma escola, Pitágoras conseguira criar uma comunidade religiosa, filosófica e política. Os alunos que formava saíam para ocupar altos cargos do governo local; cientes de sua sabedoria torciam o nariz antes as massas ignorantes e apoiavam o partido aristocrático. Resultado: as massas retrucaram pela violência e - segundo dizem uns - incendiaram a escola, prenderam o professor e o mataram. Outros são mais otimistas: contam que Pitágoras foi só exilado para Metaponto, mais ao norte, na Lucânia, onde morreu, esquecido mas em paz, com mais de 80 anos de idade.
Assim se demonstra o teorema de Pitágoras: somando os quadradinhos dos quadrados menores, que correspondem aos catetos, vê-se que seu número é igual aos do quadrado maior, cujo lado constitui a hipotenusa de um triângulo.
"Tudo são números"
Pitágoras imaginava os números como pontos, que determinam formas. E o Universo, o que é, senão um conjunto de átomos, cuja disposição dá forma à matéria?
De qualquer modo, Pitágoras não se contentava em dizer frases; demonstrou que era necessário provar e verificar geometricamente um enunciado matemático, ou seja, expressá-lo como teorema. E formulou vários, além daquele mais conhecido. Por exemplo: a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a soma de dois ângulos retos (a+b+c=180º); a superfície de um quadrado é igual a multiplicação de um lado por si mesmo. Donde a expressão "elevar ao quadrado": 2x2=22; o volume de um cubo é igual à sua aresta multiplicada três vezes por si mesma: 2x2x2=23, o que originou a expressão "elevar ao cubo".
Pitágoras também mostrou que música e matemática são parentes: o comprimento e a tensão das cordas de uma lira, por exemplo, podem ser convertidos em expressões matemáticas.
O gênio de Samos era um homem religioso, acreditava na transmigração da alma: quando um homem morre, sua alma passa para outro ou para um animal. Só pela vida "pura" a alma poderia libertar-se do corpo e viver no céu. E vida pura significava, para Pitágoras, austeridade, coragem, piedade, obediência, lealdade. Dizia a seus alunos: "Honra os deuses sobre todas as coisas. Honra teu pai e tua mãe. Acostuma-te a dominar a fome, o sono, a preguiça e a cólera". Mas acreditava igualmente numa série de superstições: não comer carne por causa da reencarnação, não comer favas, não atiçar o fogo com ferro, não erguer algo caído do chão.
Melhor meio de purificar a alma, ensinava Pitágoras, era a música. O Universo - afirmava - era uma escala, ou um número musical, cuja própria existência se devia à sua harmonia.
Como astrónomo, seu principal mérito foi conceber o Universo em movimento. Como teórico de medicina, achava que o corpo humano era constituído basicamente por uma harmonia: homem doente era sinal de harmonia rompida. Como filósofo, deu origem a uma corrente que se desenvolveu durante os séculos seguintes, inspirando - entre os principais pensadores gregos - inclusive o famoso Platão.









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